Cresce preocupação global com gripe suína; mortos passam de 100

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Governos de todo o mundo se mobilizam na segunda-feira para tentar conter uma possível pandemia de gripe, causada por um vírus que já matou 103 pessoas no México e chegou aos EUA e talvez até à Oceania.

O dólar, o peso mexicano, as Bolsas asiáticas e o petróleo se desvalorizaram devido às preocupações com a gripe.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu ativar a sua "sala de guerra", um centro de comando que funciona 24 horas por dia. Não foram verificadas mortes fora do México, mas já houve 20 casos identificados nos EUA e 6 no Canadá e um na Espanha. Possíveis casos estão sendo verificados até na Europa, em Israel e na Nova Zelândia.

Os países reforçaram a vigilância em portos e aeroportos, usando sensores e câmeras térmicas para localizar pessoas com febre.

O gabinete japonês realizou uma reunião de emergência na qual decidiu priorizar a produção de uma nova vacina. Autoridades de toda a Ásia tentaram tranqüilizar suas populações, afirmando haver estoques suficientes de medicamentos para enfrentar o surto.

A nova cepa mistura vírus humanos, suínos e aviários, e representa o maior risco de uma pandemia (epidemia global) desde o surgimento da gripe aviária, em 1997, que matou centenas de pessoas. Em 1968, uma pandemia da chamada "gripe de Hong Kong" matou cerca de 1 milhão de pessoas no planeta.

Os Estados Unidos declararam emergência pública sanitária no domingo. Embora a maioria dos casos fora do México seja relativamente benigna, uma dirigente do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) afirmou que podem ocorrer mortes nos EUA.

A OMS declarou que a gripe é uma "emergência de saúde pública de preocupação internacional", capaz de se transformar em pandemia. Um virologista que ajudou a combater os surtos de Sars (síndrome respiratória aguda grave) e gripe aviária em 2003 na Ásia disse que aquele continente pode novamente ser o mais afetado por uma nova pandemia.

"Estamos na contagem regressiva para uma pandemia", disse Guan Yi, da Universidade de Hong Kong, que ajudou a apontar a civeta (um mamífero) como origem da Sars.

"Acho que a difusão do vírus em humanos possivelmente não possa ser contida em um intervalo curto (...), já há casos em quase todas as regiões. O quadro está mudando a cada momento."

Estima-se que uma pandemia poderia causar prejuízos globais de trilhões de dólares, num momento em que o planeta já atravessa sua pior crise econômica em várias décadas.

Os investidores da Ásia estão muito cientes dos possíveis prejuízos, tendo visto os efeitos da Sars sobre a economia de Hong Kong e arredores, seis anos atrás, e também a constante preocupação com os casos de gripe aviária nos últimos anos.

MÉXICO FECHADO

Mas desta vez o epicentro da crise é o México, grande exportador de petróleo, café e bens industriais. Na noite de domingo, o ministro da Saúde, José Angel Córdova, disse que a gripe já havia matado 103 pessoas, e que cerca de 400 haviam sido hospitalizadas. A boa notícia é que a maioria dos pacientes tem se recuperado.

As escolas de vários Estados mexicanos continuam fechadas nesta semana, e a capital do país, uma das maiores metrópoles do mundo, praticamente parou. Bares, museus e estádios deixaram de funcionar, e muitos escritórios dispensaram seus funcionários.

Muita gente preferiu passar o fim de semana em casa, ou saiu com as máscaras cirúrgicas azuis distribuídas por soldados em caminhões. As ruas permaneceram estranhamente pacatas, e o governo cogita suspender o transporte público.

"A ideia de passar dez dias em casa com duas crianças pequenas, sem bares, sem museus, não tem nada de atraente, então vou para San Diego", disse a norte-americana C.R. Hibbs, que vive no México.

A redução do consumo em lojas e restaurantes nesta semana deve afetar ainda mais a economia do México, que já enfrenta os efeitos da crise econômica e de uma guerra entre cartéis de drogas.

O prefeito da capital, Marcelo Ebard, disse que a situação excepcional na cidade pode durar dez dias. Bem longe dali, no balneário de Acapulco, centenas de boates estão fechadas.

A Feria de San Marcos, um dos principais eventos anuais do país, na cidade de Aguascalientes (centro), também foi cancelada, para frustração dos fãs desse evento com muita tourada, bebida e música.

No fim de semana, as igrejas não abriram suas portas, e os fiéis tiveram de se contentar com missas celebradas pelo rádio e pela TV. Batismos e crismas foram cancelados, e a Igreja cogita remarcar casamentos.

O ministro das Finanças, Agustín Carstens, disse que o impacto da gripe será "transitório", mas o peso, já enfraquecido devido à crise, caiu 3 por cento no pregão eletrônico de domingo à noite.

A gripe é caracterizada por febre repentina, dores musculares, dor de garganta e tosse seca. As vítimas da nova cepa também têm sofrido vômitos e diarreia.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay, em Genebra; Maggie Fox, Emily Kaiser e Lesley Wroughton, em Washington; Helen Popper, Miguel Gutierrez e Alistair Bell, na Cidade do México, e Tan Ee Lyn, em Hong Kong)

Sismo de escala 5.6 na escala de Richter abala México

Um sismo de magnitude 5.6 na escala de Richter abalou esta tarde o México. O tremor de terra teve epicentro a 30 quilómetros Sul-Sudeste de Tixtla, Guerrero, a cerca de 240 quilómetros da Cidade do México. Não há até ao momento vítimas a registar.

O abalo foi sentido na Cidade do México. Há relatos de edifícios que abanaram devido à intensidade do sismo.

Várias pessoas foram retiradas, por precaução, de alguns edifícios.

Responsáveis da Protecção Civil indicaram há momentos que não há registo de vítimas mortais ou danos materiais na capital do país, que fica a mais de 200 quilómetros do epicentro do abalo.

Terramotos com esta intensidade são considerados fortes e podem provocar danos severos.


EUA recomendam lavar as mãos e usar máscara contra gripe suína

"Lave as mãos." Essa é o principal conselho do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos para prevenir a infecção pelo vírus da gripe suína, que matou 22 pessoas no México e fez pessoas doentes nos Estados Unidos e Canadá.

De acordo com o órgão, esse vírus se dissemina entre as pessoas da mesma forma que o da gripe "convencional", por meio de gotículas emitidas pelo espirro ou a tosse do doente. Por isso, é recomendável evitar o contato com pessoas infectadas --se estiver doente, evite grandes aglomerações, para não espalhar o vírus. É recomendável inclusive usar máscaras.

Também é possível ser infectado ao tocar superfícies que contenham o vírus e depois levar a mão à boca, ao nariz ou aos olhos. Por isso, é preciso lavar as mãos com frequência, por 15 a 20 segundos, usando água e sabão ou até gel à base de álcool.

O CDC afirma que o doente pode transmitir o vírus um dia antes de começar a sentir os sintomas. "Isso significa que você pode passar a gripe para alguém antes mesmo de se sentir doente", diz o órgão. Sete dias depois do aparecimento dos sintomas ainda é possível transmitir o vírus.

O órgão recomenda o uso dos remédios oseltamivir --que é comercializado com o nome de Tamiflu-- e zanamivir (Relenza) para o tratamento e a prevenção à gripe suína. "Se você ficar doente, remédios antivirais podem fazer a doença 'ficar mais fraca' e fazer com que você se sinta melhor mais rápido. Eles também devem evitar maiores complicações", afirma o CDC.

De acordo com o CDC, não há vacina para a gripe suína, mas essas precauções simples podem ajudar a conter a epidemia.

Fonte: Folha Online

Gripe suína mata 103 no México e coloca mundo em alerta

Autoridades de saúde mundiais intensificaram, nesta segunda-feira, a luta contra a gripe suína após o governo mexicano informar que o número provável de mortos pelo vírus subiu para 103. No entanto, até o momento, foram confirmados 22 casos. O governo dos Estados Unidos declarou ontem estado de emergência pública, depois que 20 casos da doença foram confirmados em cinco Estados do país. Canadá. Nova Zelândia, França, Espanha, Reino Unido e Israel também também registram suspeita de cidadãos contaminados com o virus.

Saiba como a gripe suína se espalha entre humanos

O ministro da Saúde mexicano, José Angel Córdova, anunciou ontem (26) na televisão que o número das pessoas hospitalizadas devido à epidemia se situava em cerca de 400. O ministro afirmou também que já foram notificados mais de 1.600 casos suspeitos de gripe suína e que cerca de 1.000 pessoas conseguiram se curar e foram liberadas dos hospitais.

Empréstimo de US$ 205 mi

Para ajudar o México a enfrentar a epidemia da gripe suína, o Banco Mundial (Bird) aprovou um empréstimo emergencial de US$ 205 milhões para o país. Desse valor, US$ 25 milhões serão liberados imediatamente para a aquisição de remédios e equipamentos médicos para detectar e diagnosticar a doença.

Em São Paulo, um homem foi internado com sintomas de gripe, mas o médico acredita não ser gripe suína.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) dizer que a doença tem potencial para se espalhar e se tornar uma pandemia, a organização afirma que o mundo está "bem preparado" para ela.

Margaret Chan, diretora da OMS (Organização Mundial da Saúde), reforçou a necessidade de todos os países adotarem medidas de prevenção. "Os países que ainda não foram atingidos devem aumentar sua vigilância", advertiu a diretora.

Reino Unido, Brasil, Hong Kong e Coreia do Sul estão advertindo passageiros que embarcam e desembarcam dos EUA e México sobre a doença.

EUA
A secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jannet Napolitano, disse no domingo (26) que a saúde pública do país vive uma "situação de emergência" devido à propagação do vírus da gripe suína, embora o diretor dos centros de controle de doenças e prevenção tenha afirmado que todos os casos do país são brandos.

"Não há razão para pânico entre os americanos", disse o o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Além dos oito estudantes de uma escola de Nova York que viajaram para o México recentemente, os Estados Unidos também têm sete casos na Califórnia, dois no Texas, dois em Kansas e um em Ohio.

Outros países
O Canadá divulgou os primeiros casos confirmados de gripe suína no domingo em diferentes regiões do país, com dois casos na província de British Columbia, no oeste, e quatro na província de Nova Scotia, na costa do Atlântico.

"Estes casos são brandos. Todos aqueles que foram afetados estão se recuperando. Até este momento, não vemos casos graves como aqueles no México", disse Robert Strang, autoridade-chefe de saúde pública da província de Nova Scotia.

Já as autoridades da França examinam cinco casos suspeitos de gripe suína em pessoas recém-chegadas do México e dos Estados Unidos, dos quais três foram detectados no norte do país, disse à agência Efe um porta-voz da Prefeitura de Lille.

Na Nova Zelândia dez estudantes que fazem parte de um grupo que viajou para o México estão com o vírus da gripe tipo A, o que, apesar de não ser um resultado definitivo, aumenta a chance de que eles estejam infectados pela gripe suína, de acordo com o ministro da Saúde Tony Ryall.

Pessoas que acabaram de voltar do México e apresentam sintomas de gripe estão sendo isoladas e examinadas na Espanha, Reino unido, Israel e Brasil.

O que é a gripe suína
O vírus da gripe suína tipicamente afeta porcos e não humanos. Mas o vírus sofreu mutações com misturas entre vírus que atacam suínos, aves e humanos.

O vírus H1N1 é a mesma variedade que causa epidemias de influenza em humanos. É transmitido, entre pessoas, principalmente por espirros e tosses.

Os sintomas são febre superior a 39ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Embora já existam remédios que parecem ser eficazes contra o vírus, especialistas querem saber a razão de algumas pessoas ficarem gravemente doentes enquanto outras apresentam apenas sintomas mais leves de gripe.

*Com informações da Agência Estado, Reuters, EFE e BBC

ELEIÇÕES EM SP: Lula na carrea ta de Marta Suplicy

Lula entra na campanha de Marta com a cara,
a coragem e popularidade em alta




Como prometido, Lula pôs os dois pés na campanha municipal de 2008. Abriu sua participação por São Paulo, Estado em que o PT tem o PSDB como principal rival.


No início da tarde deste sábado (30), Lula desfilou em carro aberto ao lado de Marta Suplicy (PT) e do vice dela, Aldo Rebelo (PCdoB).


Mais atrás, noutro carro, seguiam um par de deputados –Arlindo Chinaglia e Luiza Erundina—e outro de senadores –Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy.


A carreata percorreu ruas do bairro de São Miguel Paulista, um reduto nordestino encravado na capital paulista.


Lula dá as caras em São Paulo num instante em que Marta está bem-posta nas pesquisas. Segundo o Datafolha, ela lidera com 39%.


Ao associar sua imagem à de Lula, Marta tenta dar um salto nas sondagens eleitorais. Estima-se no comitê do PT que, se chegar a 47%, a candidata pode liquidar a fatura no primeiro turno.

São notórias, porém, as dúvidas quanto à perspectiva de transferência de prestígio de um político para outro.


De São Paulo, Lula voará para São Bernardo. Ali, participa de comício do candidato petista Luiz Marinho, ex-ministro da Previdência. O evento está marcado para as 18h.

Ainda na noite deste sábado (30), Lula subirá em outro palanque. Dessa vez na vizinha Diadema. Pedirá votos para o petista Mário Reali.


No domingo, Lula participa do terceiro e último comício deste final de semana. Será em Santo André. Cidade em que o PT disputa a prefeitura com Vanderlei Siraque.


Nos próximos dois finais de semana, o presidente planeja fazer campanha em outras cidades. Já escolheu três: Curitiba (PR), Vitória (ES) e Natal (RN).


Fonte: Blog do Josias

Ministro Gilmar Mendes, foi espionado por agentes a serviço da Agência Brasileira de Inteligência.

A Abin gravou o ministro

Diálogo comprova que espiões do governo grampearam
o presidente do Supremo Tribunal Federal. Autoridades
federais e do Congresso também foram vigiadas


NA SOMBRA
Paulo Lacerda, diretor da Abin, está no epicentro do escândalo. Além de coordenar secretamente uma operação policial que nem o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa (à dir.),
conhecia, a agência que ele dirige grampeou ilegalmente os telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal, de ministros do governo Lula e de parlamentares


Há três semanas, VEJA publicou reportagem revelando que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, foi espionado por agentes a serviço da Agência Brasileira de Inteligência. O diretor da Abin, Paulo Lacerda, foi ao Congresso e negou com veemência a possibilidade de seus comandados estarem envolvidos em atividades clandestinas. Sabe-se, agora, que os arapongas federais não só bisbilhotaram o gabinete do ministro como grampearam todos os seus telefones no STF. VEJA teve acesso a um conjunto de informações e documentos que não deixam dúvida sobre a ação criminosa da agência. O principal deles é um diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), gravado no fim da tarde do dia 15 de julho passado. A conversa, reproduzida na página anterior, não tem nenhuma relevância temática, mas é a prova cabal de que espiões do governo, ao invadir a privacidade de um magistrado da mais alta corte de Justiça do país e, por conseqüência, a de um senador da República, não só estão afrontando a lei como promovem um perigoso desafio à democracia.

O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo. O relato do araponga é estarrecedor. Segundo ele, a escuta clandestina feita contra o ministro Gilmar Mendes, longe de ser uma ação isolada, é quase uma rotina em Brasília. Os alvos, como são chamadas as vítimas de espionagem no jargão dos arapongas, quase sempre ocupam postos importantes. Somente neste ano, de acordo com o funcionário, apenas em seu setor de trabalho já passaram interceptações telefônicas de conversas do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e de mais dois ministros que despacham no Palácio do Planalto – Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais. No Congresso, a lista é ainda maior. Segundo o araponga, foram grampeados os telefones do presidente do Senado, Garibaldi Alves, do PMDB, e dos senadores Arthur Virgílio, Alvaro Dias e Tasso Jereissati, todos do PSDB, e também do petista Tião Viana. Esse último, conforme o araponga, foi alvo da interceptação mais recente, que teve o objetivo "de acompanhar como ele está articulando sua candidatura à presidência do Senado". No STF, além de Gilmar Mendes, o ministro Marco Aurélio Mello também teve os telefones grampeados.

As gravações ilegais feitas pela Abin servem de base para a elaboração de relatórios que têm o presidente da República como destinatário final. Isso não quer dizer que Lula necessariamente tenha conhecimento de que seus principais assessores estejam grampeados ou que avalize a operação. Os agentes produzem as informações a partir do que ouvem, mas sem identificar a origem. Por serem ilegais, depois de filtradas, as gravações são destruídas. A do ministro Gilmar Mendes foi preservada porque, ao contrário das demais, ela foi produzida durante uma parceria feita entre a Abin e a Polícia Federal na operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, no início de julho. Os investigadores desconfiavam de uma suposta influência do banqueiro no STF e decidiram vigiar o presidente da corte. Gilmar Mendes já havia sido informado de que alguns comentários que ele fez com assessores no interior do gabinete tinham chegado ao conhecimento de outras pessoas – uma evidência de que suas conversas estavam sendo ouvidas. Desconfiado, solicitou à segurança do tribunal que providenciasse uma varredura. Os técnicos constataram a presença de sinais característicos de escutas ambientais, provavelmente de aparelhos instalados do lado de fora da corte. Não era só isso. O presidente do STF também tinha os telefonemas de seu gabinete gravados ininterruptamente. A Abin recebia e analisava, por dia, mais de duas dezenas de ligações do ministro. Foi para provar o que dizia que o funcionário mostrou uma delas.



INIMIGOS ÍNTIMOS
O ex-ministro José Dirceu teve seu escritório arrombado em São Paulo. Os ladrões só levaram a CPU do computador, embora houvesse outros objetos de valor. Dirceu aponta os espiões do governo como responsáveis pela invasão e acusa o ministro da Justiça, Tarso Genro, e a Abin de estarem por trás das ações clandestinas. A suspeita, gravíssima, já foi informada por Dirceu ao presidente Lula. O ex-ministro diz que foi advertido sobre a perseguição, que incluía grampos clandestinos em seus telefones e nos de seus familiares

De acordo com os registros, o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. Na ocasião, Mendes não pôde atender porque estava a caminho do Palácio do Planalto para uma audiência com o presidente Lula. Três minutos depois, às 18h32, a secretária retornou a ligação para o gabinete do senador e a transferiu para o celular do ministro. A conversa foi rápida. O presidente do Supremo agradeceu a Torres pelo pronunciamento no qual havia criticado o pedido de impeachment protocolado contra ele no Congresso. Na semana anterior, Mendes havia mandado soltar o banqueiro Daniel Dantas, o que provocou, além do pedido de impeachment, uma barulhenta reação da polícia e do Ministério Público. As entidades enxergaram na decisão do ministro – polêmica, mas felizmente tomada sob inspiração das leis vigentes – uma tentativa de impedir a punição dos corruptos. A Polícia Federal e a Abin interpretaram a decisão como uma confirmação de que alguma coisa errada se passava no gabinete do ministro e decidiram intensificar as ações ilegais. A partir daí, o presidente do Supremo e seus assessores mais próximos passaram a ser ouvidos, grampeados e seguidos pelos arapongas.

O diálogo em poder da Abin foi apresentado ao ministro Gilmar Mendes e ao senador Demóstenes Torres. Ambos confirmaram o teor da conversa, a data em que ela aconteceu e reagiram com indignação. "Não há mais como descer na escala da degradação institucional. Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do Supremo Tribunal Federal é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno", disse o ministro, anunciando que vai pedir providências diretamente ao presidente Lula. "Não acredito que a ação da Abin ou da Polícia Federal seja oficial, com o conhecimento do governo, mas cabe ao presidente da República punir os responsáveis por essa agressão", acrescentou Mendes. O senador Demóstenes Torres também protestou: "Essa gravação mostra que há um monstro, um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes". O parlamentar informou que vai cobrar uma posição institucional do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, sobre o episódio, além de solicitar a convocação imediata da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso para analisar o caso. "O governo precisa mostrar que não tem nada a ver e nem é conivente com esse crime contra a democracia."

A atuação descontrolada dos arapongas oficiais está provocando crises dentro do próprio governo. Em conversas reservadas com assessores, Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula, que também foi vítima de espionagem clandestina, suspeita de uma conspiração em andamento para criar dificuldades ao governo. A teoria ganhou um reforço de um peso pesado do petismo. O ex-ministro José Dirceu, acostumado a freqüentar o noticiário como suspeito de alguma coisa, tem contado a amigos que é vítima de uma intensa perseguição de arapongas. A mais explícita, segundo ele, aconteceu em março passado. Um advogado, muito amigo do ex-ministro, recebeu a informação de que os telefones de Dirceu, de seus advogados e de alguns familiares estariam clandestinamente grampeados. Além disso, o escritório de Dirceu em São Paulo sofreria uma "entrada" – no jargão dos arapongas isso significa uma invasão clandestina disfarçada de roubo. O alerta, segundo o advogado, foi feito por um policial. Dias depois, o escritório do ex-ministro foi invadido. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia, eram ladrões diferenciados, pois não se interessaram em levar uma televisão de plasma, uma cafeteira italiana, celulares e objetos de valor. Furtaram apenas a CPU do computador. Os "ladrões" também não deixaram marcas nas portas nem impressões digitais. A polícia paulista informou que o crime provavelmente foi praticado por uma gangue de catadores de papel.

No fim de junho, José Dirceu avisou o presidente Lula que estava sendo vítima de operações ilegais e que suspeitava da ação conjunta da Polícia Federal e da Abin. Em público, o ministro não faz acusações diretas contra ninguém, mas, para o presidente, ele foi explícito: Dirceu acusa o atual diretor da Abin, Paulo Lacerda, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, de estarem por trás de um complô para prejudicá-lo, recorrendo a supostas ações ilegais contra ele, inclusive a invasão do escritório. "Mandei também avisar o presidente que estava sendo escutado ilegalmente", disse o ex-ministro a um interlocutor na semana passada. Dirceu considera Tarso Genro, que é do PT, mas de uma corrente interna diferente da sua, como desafeto político. O ministro da Justiça estaria usando o aparato policial contra Dirceu para tentar minar sua influência no partido. Paranóia? Talvez. O fato é que a ação clandestina dos arapongas, sejam eles da Abin ou ligados à Polícia Federal, está criando entre políticos, magistrados e autoridades em Brasília um clima que não se percebia desde os tempos do velho SNI, o serviço de inteligência criado no regime militar, que serviu, por mais de duas décadas, como instrumento de perseguição de adversários. Havia mais de um ano que o ministro Gilmar Mendes suspeitava que seus telefones estavam sendo grampeados. Parecia paranóia.



GILMAR MENDES
"Gravar clandestinamente os telefones do presidente do STF é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno"
DEMÓSTENES TORRES
"Há um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes"

Gilmar Mendes – Oi, Demóstenes, tudo bem? Muito obrigado pelas suas declarações.

Demóstenes Torres – Que é isso, Gilmar. Esse pessoal está maluco. Impeachment? Isso é coisa para bandido, não para presidente do Supremo. Podem até discordar do julgado, mas impeachment...

Gilmar – Querem fazer tudo contra a lei, Demóstenes, só pelo gosto...

Demóstenes – A segunda decisão foi uma afronta à sua, só pra te constranger, mas, felizmente, não tem ninguém aqui que embarcou nessa "porra-louquice". Se houver mesmo esse pedido, não anda um milímetro. Não tem sentido.

Gilmar – Obrigado.

Demóstenes – Gilmar, obrigado pelo retorno, eu te liguei porque tem um caso aqui que vou precisar de você. É o seguinte: eu sou o relator da CPI da Pedofilia aqui no Senado e acabo de ser comunicado pelo pessoal do Ministério da Justiça que um juiz estadual de Roraima mandou uma decisão dele para o programa de proteção de vítimas ameaçadas para que uma pessoa protegida não seja ouvida pela CPI antes do juiz.

Gilmar – Como é que é?

Demóstenes – É isso mesmo! Dois promotores entraram com o pedido e o juiz estadual interferiu na agenda da CPI. Tem cabimento?

Gilmar – É grave.

Demóstenes – É uma vítima menor que foi molestada por um monte de autoridades de lá e parece que até por um deputado federal. É por isso que nós queremos ouvi-la, mas o juiz lá não tem qualquer noção de competência.

Gilmar – O que você quer fazer?

Demóstenes – Eu estou pensando em ligar para o procurador-geral de Justiça e ver se ele mostra para os promotores que eles não podem intervir em CPI federal, que aqui só pode chegar ordem do Supremo. Se eles resolverem lá, tudo bem. Se não, vou pedir ao advogado-geral da Casa para preparar alguma medida judicial para você restabelecer o direito.

Gilmar – Está demais, não é, Demóstenes?

Demóstenes – Burrice também devia ter limites, não é, Gilmar? Isso é caso até de Conselhão.

(risos)

Gilmar – Então está bom.

Demóstenes – Se eu não resolver até amanhã, eu te procuro com uma ação para você analisar. Está bom?

Gilmar – Está bom. Um abraço, e obrigado de novo.

Demóstenes – Um abração, Gilmar. Até logo.


Autores:
Policarpo Junior e Expedito Filho

Fonte: Revista Veja

Morre Olavo Setubal

Olavo Egydio Setubal, do banco Itaú, morre aos 85 anos em São Paulo

Morreu na manhã desta quarta-feira, aos 85 anos, o empresário Olavo Egydio Setubal, presidente do conselho de administração da Itaúsa, holding que controla a instituição financeira Itaú. Ele morreu por volta das 8h15, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, de insuficiência cardíaca.

O velório será realizado no Centro Empresarial Itaúsa, no Jabaquara, a partir das 16h de hoje e das 10h de quinta-feira. O corpo será cremado amanhã, em cerimônia privativa para os familiares.

Olavo Setubal deixa a mulher, Daisy Setubal, e os filhos Paulo, Maria Alice, Olavo Jr., Roberto, José Luiz, Alfredo e Ricardo, noras e 19 netos.

João Sal/Folha Imagem
O empresário Olavo Egydio Setubal morreu aos 85 anos em São Paulo; veja fotos
O empresário Olavo Egydio Setubal morreu aos 85 anos em São Paulo.

Filho do escritor e poeta Paulo Setubal e de Francisca de Souza Aranha Setubal, Olavo perdeu o pai aos 14 anos, passando a ter como referência o tio Alfredo Egydio de Souza Aranha.

Paulistano nascido a 16 de abril de 1923, o banqueiro Olavo Setubal se formou em engenharia em 1945, pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), e logo depois começou a trabalhar como professor-assistente no Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Após juntar US$ 10 mil --história que sempre gostou de contar--, Setubal e um amigo fundaram a Deca, fabricante peças de fechadura e de torneiras. Em 1953, a companhia adquiriu uma indústria de válvulas de descarga. Com o sucesso, foi chamado por um tio para salvar o Banco Federal de Crédito, então com problemas financeiros.

Assim, firmou de vez sua carreira como banqueiro ao assumir a direção da instituição em 1959, após a morte do tio. Em 1964, comprou o Itaú, cujo forte eram os clientes da área rural. Nos anos 70, após mais aquisições, ele já era o segundo maior banqueiro do país.

Foi prefeito da cidade de São Paulo de 1975 a 1979, no período militar. De março de 1986 a fevereiro de 1987, ocupou a função de ministro das Relações Exteriores. Após sair da pasta, nunca mais retornou à presidência do Itaú.

No final de 1974, foi criada a holding Itaúsa, que além do banco Itaú Holding Financeira (Itaú e Itaú BBA), congrega ainda operações industriais (Duratex, Itautec e Elekeiroz). O Itaú é, ao lado do Bradesco, um dos maiores conglomerados financeiros privados do país, com lucro de R$ 4,084 bilhões no primeiro semestre e uma carteira de crédito de R$ 148 bilhões


Fonte: Folha Online

Eleições a Prefeito de Belo Horizonte - 1ª Pesquisa

Candidato de Aécio e Pimentel em
BH é o 3º em disputa, aponta Ibope





A primeira pesquisa Ibope após a definição dos candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, divulgada na noite de sábado pela TV Globo, mostra Jô Moraes (PC do B) empatada tecnicamente com Leonardo Quintão (PMDB). Eles aparecem à frente de Marcio Lacerda (PSB).

Lacerda, candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, está em terceiro lugar, nove pontos percentuais atrás de Jô Moraes. Ela tem 17% das intenções de voto, contra 14% de Quintão e 8% de Lacerda.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela TV Globo. Tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais sob o número 46239/2008.

A candidata do PSTU, Vanessa Portugal, aparece com 4% das intenções de voto, e o ex-deputado federal Sérgio Miranda (PDT) tem 3%.

O sexto lugar é do candidato do DEM, o deputado estadual Gustavo Valadares, com 2%. E em sétimo está André (PT do B), com 1%.

A pesquisa estimulada, no entanto, mostra que 30% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou não opinaram. O Ibope fez a consulta entre os dias 14 e 16 de julho. Foram entrevistados 805 eleitores.


Fonte: Folha de São Paulo


Antes de Protógenes Queiroz, pelo menos dois delegados da Polícia Federal foram alvo de suposta retaliação política

Delegado que prendeu Duda foi afastado


Antes de Protógenes Queiroz, pelo menos dois delegados da Polícia Federal foram alvo de suposta retaliação política: José Castilho, afastado das investigações do caso Banestado, e Antônio Rayol, que virou alvo de processo administrativo depois de prender o publicitário Duda Mendonça numa rinha de galo, em 2004.

Em ambos os casos, o governo alegou critérios técnicos para remover os delegados dos casos que investigavam. Essa prerrogativa é cada vez mais questionada por grande parte dos policiais federais, mobilizados pela aprovação da PEC 549, em trâmite no Congresso.
"Só construiremos uma sociedade justa no dia em que desvincularmos a Polícia Federal do Executivo", diz Castilho, hoje assessor especial do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). O delegado foi responsável por descobrir o envio ilegal de remessas para o exterior, pelas contas CC5.

A PEC prevê a inclusão dos delegados na carreira jurídica e a colocação dos delegados como autoridade superior no seguimento policial e de segurança pública, equiparando seus vencimentos e prerrogativas aos dos membros do Ministério Público.

"Hoje, a administração tem o direito de mudar o delegado da investigação se achar que não está sendo conduzida como deveria. Queremos permitir que o delegado possa ir até o final num inquérito", diz Antônio Rayol, diretor regional da ADPF (Associação de Delegados da Polícia Federal) no Rio.

A ADPF luta pela prerrogativa da inamovibilidade, de que gozam juízes e promotores. Para Rayol, a mudança na lei ajudaria a evitar especulações.
"No caso do Daniel Dantas, existe a especulação de que, se ele abrir a boca, pode comprometer pessoas poderosas. [Sem a PEC], sempre haverá espaço para esse tipo de suspeita", afirma Rayol.

A proposta enfrenta resistência dos agentes, organizados na FNPF (Federação Nacional dos Policiais Federais). Para o presidente, Marcos Wink, que tem buscado apoio de congressistas, a PEC pode "esfacelar as relações entre delegados e as demais categorias" com a criação da figura do "delegado-juiz".


Fonte: Folha de São Paulo
CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

História da vigilância sobre os policiais da Satiagraha

Agentes da PF afirmam que foram vigiados por colegas

Suposta perseguição a policiais do caso Dantas
aconteceu em Brasília, em março e abril


História da vigilância sobre os policiais da Satiagraha
é narrada em um relatório que integra
o inquérito da operação contra banqueiro

Policiais federais que atuam na Operação Satiagraha, que no último dia 8 levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas, disseram ter sido seguidos pelas quadras de Brasília pelo menos seis vezes entre março e abril. Em dois casos, os agentes federais reconheceram, entre os supostos perseguidores, dois servidores do próprio departamento da PF, lotados em Brasília.

As supostas perseguições teriam sido feitas por sete carros diferentes. Quando os policiais foram checar as placas dos carros, descobriram que seis delas apontavam para veículos de marcas e modelos diferentes dos que os seguiram e que uma das placas era falsificada.
A história da vigilância sobre os investigadores da Satiagraha é narrada num relatório da Diretoria de Inteligência Policial da PF que integra o inquérito da operação, de 28 de abril. Dois dias antes, a Folha havia divulgado, com exclusividade, a existência de investigação contra Dantas. Os relatos das perseguições são de "março de 2008" e dos dias 4, 16, 17 e 20 de abril. Portanto, anteriores à reportagem da Folha.

No dia 28, nova suspeita foi relatada. Desta vez, no cemitério Campo da Esperança, quando um policial informou ter reconhecido dois "servidores" da PF, um deles da área administrativa, a quem identificou nominalmente no relatório.

A narrativa mais detalhada é a da noite de 17 de abril. O policial da Satiagraha contou que voltava para casa, por volta das 19h30, quando suspeitou estar sendo seguido. Decidiu então estacionar "numa rua deserta". Esperou ali por algum tempo. Ao deixar a rua, "veio ao seu encontro um Ford EcoSport, com duas pessoas, em alta velocidade". Segundo o policial, os dois "estavam numa atitude clara de procurar alguém, e, no momento em que se depararam com o agente da equipe, ficaram desconcertados, constrangidos, disfarçaram e foram embora". Ao checar a placa, a PF descobriu que se referia a um Ford Ranger prateado.

Treze dias antes, outro agente da PF ligado à Satiagraha teria sido seguido por dois carros ao mesmo tempo, um Santana e um Renault Megane. O policial fez uma "ação de evasão na tentativa de confirmar a vigilância, na qual obteve êxito, pois, ao efetuar duas vezes o "balão" da [quadra] CLS 208, Brasília/DF, foi acompanhado pelos mesmos [carros], que o seguiram até o seu destino".

Os relatos embasaram também um relatório da diretoria de repressão a crimes financeiros da PF, que acusa o grupo ligado ao banqueiro Daniel Dantas de promover "vigilância em cima do delegado Protógenes Queiroz" e de outros policiais. "Em áudios obtidos nas interceptações telefônica e telemática, fica claro o acompanhamento dos passos do delegado [Queiroz], especialmente seus deslocamentos territoriais."

Segundo o documento, após o vazamento da operação, pessoas ligadas a Dantas passaram a buscar informações no Judiciário e "mobilizaram os contatos, conseguindo inclusive alguns dados sobre a presente investigação, com indícios de que, para tanto, tenham ocorrido práticas de tráfico de influência e de corrupção".

Os relatórios da inteligência somam-se a outras desconfianças. Numa conversa gravada com seu superior em Brasília, Protógenes Queiroz cita seu "estranhamento". Respondia à informação de que poderia responder a procedimento administrativo porque uma equipe de TV conseguiu filmar o ex-prefeito Celso Pitta de pijama.

"Já tenho uma investigação a respeito de vazamento e de condutas muito estranhas durante o período todo de investigação, então isso aí pra mim não é novidade, só vou agregar esses fatos ao grande volume de dados que eu já tenho (...), que está sendo informado ao Ministério Público e ao juiz, diuturnamente", disse Queiroz, em ligação de 9 de julho.

A assessoria de comunicação do Departamento da Polícia Federal em Brasília informou que o órgão não comenta o relatório de inteligência nem detalhes da Operação Satiagraha.


Fonte: Folha de São Paulo

Autor:RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Schumacher diz que "parou para o Massa não ficar desempregado"

"Parei para o Massa não ficar desempregado", diz Schumacher



Mais de um ano e meio de sua aposentadoria da Fórmula 1, o heptacampeão mundial Michael Schumacher revelou que se retirou da categoria para salvar a carreira do seu então companheiro de equipe na Ferrari, Felipe Massa.

O alemão, que possui 91 vitórias, 68 poles positions e 1.369 pontos na F-1, deixou a série no final de 2006, após ser vice-campeão, perdendo o título para o espanhol Fernando Alonso.

Divulgação
Para o ano seguinte, já estava contratado o finlandês Kimi Räikkönen e a Ferrari aguardava uma decisão de Schumacher sobre o futuro. Caso o germânico optasse por continuar nas pistas, sobraria para Felipe Massa ficar sem escuderia.

"Eu parei, porque eu não queria que meu amigo Felipe Massa ficasse desempregado", explicou o ex-piloto, de 39 anos, ao jornal suíço Blick. Na época, muitos comentários consideraram que Schumacher estaria com medo de ter Räikkönen como companheiro.

"Eu não teria nenhum problema em correr contra o Kimi Räikkönen", acrescentou o alemão, que irá comparecer ao Grande Prêmio da Alemanha, no circuito de Höckenheim, neste final de semana, local da décima etapa da temporada 2008.

Schumacher, que venceu por quatro ocasiões a corrida de sua casa, irá assistir a segunda prova neste ano, depois de ter aparecido na Espanha, três meses atrás. O heptacampeão também deve participar de um jogo de futebol nesta quarta-feira com o time de pilotos.

Depois da saída de Schumacher, Kimi Räikkönen se sagrou campeão mundial no ano passado (2007), lutando até a última corrida contra os rivais da McLaren Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Já Felipe Massa ficou em quarto lugar no campeonato.

Nesta temporada, Massa e Räikkönen dividem a liderança da competição com Hamilton, todos com 48 pontos. E ainda restam nove etapas.

Marido de Ingrid Betancourt admite separação

A ex-refém Ingrid Betancourt e o marido Juan Calos Lecompte após resgate na Colômbia

O publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte, marido de Ingrid Betancourt, reconheceu que atravessa "uma situação complicada" e não descartou que sua relação com a ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) "tenha acabado".

O publicitário, que é casado há mais de oito anos com Betancourt, afirmou que uma possível separação "pode acontecer". "Não penso nisso só agora, mas desde antes", comentou.

Lecompte disse entender que a ex-candidata, após mais de seis anos em poder das Farc, queira ficar "só com seus filhos". "Conheço ela bem e sabia que ia me pedir um tempo só com seus filhos. Eu respondi que interiormente já tinha me preparado para isso durante todos estes anos", afirmou Lecompte em entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal "El Tiempo".

Lecompte desmentiu os rumores sobre as causas do distanciamento e negou que seja por uma suposta relação sentimental sua com uma mexicana durante os anos em que Betancourt ficou seqüestrada.

O publicitário também afirmou que se sentia "muito feliz com o resgate", mas ressaltou que "esperava outra coisa". "Eu esperava um forte abraço", disse.

"Não houve um forte abraço. Aí fiquei ao lado, com muita dignidade. Jamais fui protagonista na vida pública de Ingrid", acrescentou.

Além disso, o publicitário disse não se incomodar com o fato de Betancourt ter se referido a seu ex-marido, Fabrice Delloye, de forma carinhosa. "Eles têm uma relação como de irmãos" é "o pai de seus filhos", comentou.

A ex-candidata à Presidência da Colômbia, que também tem nacionalidade francesa, foi libertada junto com outros 14 reféns das Farc em 2 de julho, em uma operação do Exército colombiano.

Fonte: Folha Online


Polícia Federal prende Celso Pitta, Daniel Dantas e Naji Nahas

Polícia Federal prende Celso Pitta, Daniel Dantas e Naji Nahas


  • Lula Marques/Folha Imagem

    O banqueiro Daniel Dantas

  • João Sal/Folha Imagem

    O ex-prefeito de SP Celso Pitta

  • Lula Marques/Folha Imagem

    O mega-investidor Naji Nahas

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Naji Nahas na operação denominada Satiagraha, que investiga desdobramentos do caso mensalão. Todos eles foram presos em suas residências nesta manhã.

Segundo informações preliminares fornecidas pela assessoria de imprensa do órgão ao UOL, Celso Pitta e Naji Nahas foram presos em São Paulo, e Daniel Dantas, no Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Federal, foram expedidos 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão. A PF informou que os três detidos encabeçam uma suposta quadrilha que teria cometido crimes financeiros. As investigações do caso começaram há um ano e meio.

No total, cerca de 300 policiais de quatro capitais brasileiras estão trabalhando na operação: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

À agência Reuters, a PF informou que Dantas é acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação fiscal e evasão de divisas. A assessoria não tinha informações, no entanto, sobre quais são as acusações contra Pitta e Nahas.

O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, disse em entrevista à GloboNews que a prisão do banqueiro é "arbitrária e desnecessária". "Daniel Dantas é um empresário reconhecido pela competência e vem sendo estigmatizado como se fosse transformado em inimigo público", disse.

Dantas soube da operação da PF há dois meses

Personagem crucial no processo de aquisição da Brasil Telecom pela Oi, o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, e seus principais sócios e executivos estavam no alvo da Polícia Federal desde o mês de abril, sendo investigados por supostos crimes financeiros após informações encontradas em computador


Fonte: UOL Notícias

Aquecimento Global, Humanidade tem 7 anos para controlar emissões

Humanidade tem 7 anos para estabilizar emissões, diz IPCC


O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas, Rajendra Pachauri, afirmou que a humanidade tem apenas sete anos para estabilizar as emissões de gases que causam o efeito estufa.

"Temos uma janela de oportunidade de apenas sete anos, pois as emissões terão que chegar ao máximo até 2015 e diminuir depois disso. Não podemos permitir um atraso maior", afirmou. Pachauri disse a ministros da União Européia, que participam de uma reunião de dois dias em Paris, que as tentativas de enfrentar o problema vão fracassar se o bloco não assumir a liderança nas negociações mundiais.

"Se a União Européia não liderar, temo que qualquer tentativa de fazer mudanças e de gerenciar o problema da mudança climática vai desmoronar", disse. "Vocês não conseguirão trazer os Estados Unidos, a América do Norte (para as negociações). Vocês não conseguirão trazer outros países do mundo também." Limite A União Européia quer limitar o aquecimento total desde a época pré-industrial a dois graus, objetivo também estabelecido por muitos cientistas.

Pachauri também alertou para esta meta, pois, segundo ele, estão surgindo provas de que a mudança climática está se acelerando mais do que o previsto. Ondas de calor e enchentes estão aumentando e as temperaturas subindo, o que causa o derretimento das geleiras.

Atualmente estão ocorrendo negociações para um novo acordo global que possa substituir o Protocolo de Kyoto, quando seu prazo de vigência for encerrado em 2012.

Em 2007 o IPCC e o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore dividiram o prêmio Nobel da Paz, pelo trabalho de pesquisa e alerta a respeito do aquecimento global

Ingrid Betancourt é resgatada com sérios problemas de saúde

Governo colombiano anuncia resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns

Das agências internacionais
Em Bogotá (Colômbia)
Atualizado às 17h42

O governo da Colômbia anunciou nesta quarta-feira o resgate de Ingrid Betancourt, três reféns americanos e de outros 11 seqüestrados que estavam sob o poder das Farc.

De acordo com o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, o resgate foi realizado em zona de selva a 72 km da capital do departamento de Guaviare, em uma operação realizada pelas forças armadas colombianas. Os reféns estão em boas condições de saúde, informa o ministro.

"Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Fazemos um apelo aos atuais líderes das Farc para que não se matem, libertem os outros reféns e não sacrifiquem seus homens", disse Santos.

A senadora e então candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt foi seqüestrada pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no dia 23 de fevereiro de 2002, junto com sua companheira de chapa Clara Rojas. A ação aconteceu perto de San Vicente del Caguán, 740 km ao sudeste de Bogotá, durante o governo de Andrés Pastrana.

Já os três norte-americanos, Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, eram trabalhadores a serviço da Departamento de Defesa dos EUA em missão antidrogas que foram seqüestrados quando o avião em que estavam caiu na Colômbia em fevereiro de 2003.

As Farc, que chegaram a contar com 17 mil membros, hoje estão localizadas em áreas remotas da selva, com cerca de 9.000 combatentes. Só neste ano, a guerrilha já perdeu três líderes.
  • Alain Keler/Reuters

    No dia em que foi seqüestrada (23.fev.2002), Betancourt aparece com soldados colombianos

  • Reprodução/AP

    Betancourt aparece pela segunda vez em vídeo divulgado pelas Farc em agosto de 2003


Repercussões
A irmã de Betancourt, Astrid, disse a uma rádio colombiana que "foram longos anos de espera" pela liberdade da irmã.

Lorenzo Delloye-Betancourt, filho de Ingrid, disse que sua soltura após seis anos de cativeiro é "a notícia mais bonita de minha vida, se for verdade".

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, que passou seis anos como refém das Farc, se declarou emocionado pela libertação de quinze pessoas.

Já na França, país que vinha fazendo grandes esforços em favor da liberdade de Ingrid, Herve Marro, porta-voz de um grupo de apoio disse: "eu gostaria de agradecer a todos os envolvidos, incluíndo o presidente Nicolas Sarkozy".

Deputados franceses de todos os grupos parlamentares comemoraram a libertação de Betancourt e pediram que os reféns que permanecem nas mãos das Farc não sejam esquecidos.

O seqüestro de Betancourt
A franco-colombiana Ingrid Betancourt foi seqüestrada em 2002 e virou símbolo dos acordos conflituosos entre as Farc e o governo colombiano. Nas eleições em que Betancourt concorria como candidata à presidência, foi eleito Álvaro Uribe, partidário da linha dura com a guerrilha.

Já no poder, Uribe revela um plano para enviar rebeldes presos ao exterior, com apoio da França, em troca da libertação de seqüestrados políticos. A troca seria de 45 reféns, incluíndo Betancourt por 500 guerrilheiros presos.

Em 9 de julho de 2003, a França envia um avião a Manaus, na Amazônia brasileira, para uma eventual libertação de Betancourt, numa operação secreta que fracassa.

Em dezembro de 2004, o presidente colombiano Álvaro Uribe liberta 23 guerrilheiros para destravar o bloqueio a um acordo. No dia seguinte, as Farc pedem a libertade de 500 rebeldes.
  • Marc Gonsalves...

  • Thomas Howes...

  • ... e Keith Stansell.

    Eles eram trabalhadores a serviço da Departamento de Defesa dos EUA em missão antidrogas.

    Foram seqüestrados em fevereiro de 2003 quando o avião em que estavam caiu na Colômbia.



Um ano depois, em 13 de dezembro de 2005, França, Espanha e Suíça propõem negociar a troca de reféns por prisioneiros em uma pequena propriedade rural no sudeste da Colômbia, com observação internacional. Uribe aceita. Mas em 2 de janeiro de 2006, a guerrilha diz desconhecer a proposta européia e considera que negociar seria favorecer Uribe, que estava em campanha para reeleição.

Uribe é reeleito para um segundo mandato. No início de 2007, Uribe diz ante a cúpula da polícia que o ano será "crucial para resgatar os seqüestrados". A França e a família de Betancourt se opõem a uma operação militar.

Em 28 de abril, o policial John Frank Pinchao, que partilhava o cativeiro com Betancourt, consegue escapar e conta que ela permanece num acampamento na selva do sudeste da Colômbia.

Em 6 de maio, em seu primeiro discurso após ser eleito presidente da França, Nicolas Sarkozy afirma que não esquecerá da sorte de Betancourt. No mês seguinte, Uribe começa a liberar mais de 120 guerrilheiros, entre eles o chamado "chanceler" do grupo, Rodrigo Granda, cuja liberdade foi solicitada por Sarkozy.

Em 17 de agosto, o presidente venezuelano Hugo Chávez aceita fazer a mediação entre as Farc e Uribe. Três meses depois, porém, Álvaro Uribe suspende a mediação de Chávez junto aos rebeldes, acusando o presidente venezuelano de ingerência nos assuntos internos da Colômbia.

No final de dezembro do ano passado, a guerrilha anunciou a intenção de entregar a Chávez a ex-deputada Consuelo González, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas e o filho dela, Emmanuel, nascido em cativeiro. A decisão é um ato de "desagravo" ao afastamento do venezuelano da negociação.

Em 10 de janeiro, as Farc libertam as duas políticas em uma região na selva do departamento de Guaviare. No começo de fevereiro, o anúncio de mais três libertações. Em 27 de fevereiro, são entregues os ex-parlamentares Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán, Gloria Polanco e Jorge Eduardo Gechém.

Advogado compadre de Lula admite que seus contratos com a VarigLog pode chegar a 5 milhões de dólares


Compadre de Lula admite que

tem 5 milhões de dólares em contratos

de negócios que envolve a união.


O advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, disse que pode chegar a US$ 5 milhões o valor total de seus contratos com a VarigLog, entre honorários, custas judiciais e outras despesas.


Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), a quantia se refere a um ano e dez meses de serviços em mais de 300 processos, e não apenas a sua atuação na venda da companhia, em 2006, para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros.


O negócio foi posto sob suspeita pela ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, que denunciou ter sido pressionada pela Casa Civil para não exigir documentos que pudessem revelar que o sócio estrangeiro era o real controlador da companhia, o que fere a lei.


Em inquérito no Senado na última quarta-feira, Teixeira disse ter recebido US$ 350 mil da VarigLog entre março e junho de 2006.


Um dos sócios brasileiros, Marco Antonio Audi, disse que Teixeira recebeu US$ 5 milhões "para resolver" o problema. Teixeira negou ter usado sua influência e disse que o valor recebido era "bem menor", sem falar em números.


A assessoria do advogado informou que ele não voltou atrás em suas declarações e desmentiu Audi.


Histórico


O escritório de Teixeira passou a atuar no caso depois que a venda da Variglog para o fundo norte-americano já havia sido aprovada pelo DAC (Departamento de Aviação Civil), que foi posteriormente substituído pela Anac.


Teixeira foi acusado pela ex-diretora da Anac Denise Abreu de ter usado sua suposta influência junto ao governo para pressionar a agência a favor de seus clientes.


Os problemas com Denise começaram quando ela reabriu o processo de venda, contestando as informações sobre a presença de capital estrangeiro na empresa além do limite permitido pela legislação, de 20%.


A briga continuou depois da confirmação pela Anac, por unanimidade, de que a venda não feria a legislação. Quando a VarigLog comprou a Varig, Denise teria agido para impedir que a empresa pudesse voar.


Negócios


A VarigLog é a ex-subsidiária da Varig de transporte de cargas. A companhia é alvo de um imbróglio empresarial envolvendo o fundo Matlin Patterson e os sócios brasileiros, que travam disputas judiciais no Brasil e no exterior desde a metade do ano passado.


O fundo se associou, por meio da Volo do Brasil, com três brasileiros para controlar a empresa, mas houve um desentendimento na gestão dos recursos recebidos pela venda da Varig para a Gol --a VarigLog comprou as operações da Varig em leilão por US$ 24 milhões e depois revendeu a companhia aérea à Gol por US$ 320 milhões.


Por conta das disputas judiciais, há meses a VarigLog enfrenta sérios problemas, como suspensão de serviços e arresto de aeronaves por falta de pagamento a fornecedores e prestadores de serviços. Os funcionários também estão com salários atrasados, enquanto outras centenas foram demitidos.


Em abril, o juiz José Paulo Magano determinou a volta do fundo americano para a gestão da VarigLog e excluiu os brasileiros da sociedade. À época, o advogado Nelson Nery Junior, que representa o Matlin, informou que havia sido fixado pagamento de US$ 428 mil para cada um dos três sócios.


O juiz também mandou bloquear uma transferência de recursos da conta na Suíça da VarigLog para o Brasil e afastar Lap Chan, então gestor do fundo, do comando da empresa. Sobre isso, Nery Junior afirmou que o dinheiro seria usado na criação de uma linha de crédito para socorrer a empresa e não era uma tentativa de desvio.


Fonte: A reportagem está na Folha desta

segunda-feira, que já está nas bancas.

PF mobiliza mil policiais na maior operação do ano em sete Estados

Agora quase todos acham que podem roubar


Depois de CPI pra cá, CPI pra lá, prende e solta, dinheiro em malas, cuecas e sabe-se la onde mais, a grande maioria dos que tem acesso ao dinheiro público se acha no direiro de fazer o mesmo, e arrumar a vida, então praticamente antes de começar as obras o PAC, muitos já fizeram o seu PAC pessoal.

Leia essa matéria publicado a pouco no UOL

A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta manhã a operação denominada João-de-Barro para apurar desvio de verba pública oriunda do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em sete Estados do país. Com a participação de mil policiais, estão sendo cumpridos 38 mandados de prisão e 231 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e no Distrito Federal.


Segundo a PF, é a maior operação do ano em número de policiais envolvidos. Só em Minas Gerais estão sendo investigadas 15 prefeituras, inclusive a de Belo Horizonte.



A suspeita é que a verba destinada à compra de material de construção de casas populares tenha sido apropriada de forma fraudulenta por gestores públicos e empresários do setor de construção.



Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) em 29 cidades do leste de Minas Gerais apontou indícios de fraudes na execução das obras de construção de casas populares e estações de tratamento de esgoto nas localidades.



Segundo a PF, após essa constatação, iniciou-se uma operação para desarticular um esquema no qual havia a compra de material com qualidade inferior ao que fora planejado no projeto inicial de construção das moradias populares.


Ainda há a acusação de diminuição da área determinada na planta para ser construída ou até a não-realização da construção do imóvel.



Ainda de acordo com a PF, o desvio era feito nas chamadas "Transferências Voluntárias", recursos financeiros transferidos pela União aos Estados e municípios e o Distrito Federal por meio de convênios firmados ou por empréstimos contraídos na CEF (Caixa Econômica Federal) ou no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).



Os projetos apresentados dentro do programa e que estão sob suspeita de irregularidades já receberam o montante de cerca de R$ 700 milhões. A operação iniciada hoje tenta coibir o repasse de mais R$ 2 bilhões para projetos sob suspeição, conforme informou a PF.



Em Minas Gerais, os agentes federais fazem buscas para recolher documentos que comprovem
a fraude em cidades importantes do Estado, como Contagem, Vespasiano, Sabará, Nova Lima, Ribeirão das Neves, localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, além das cidades de Montes Claros, Governador Valadares, Divinópolis, Teófilo Otoni, Varginha, Formiga, Oliveira e Juiz de Fora.



Todos os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Os mandados de prisão foram expedidos pelo Juiz Hermes Gomes, da 2ª Vara de Governador Valadares/MG, segundo informou a Polícia Federal.

Assim também já é demais

Trapaças, mentiras, dinheiro alheio e vídeo taipe

Em vídeo comprometedor, prefeito menciona Zé Dirceu

O vídeo acima foi obtido numa batida da Polícia Federal. Divulgou-o a revista Época. Mostra o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), numa cena de corrupção explícita.

Chama-se Francisco José Carapinha o personagem que contracena com o prefeito Bejani. Conhecido como Bolão, ele é dono de uma empresa de ônibus.

Carlos Bejani e José ‘Bolão’ Carapinha foram recolhidos ao cárcere nesta quinta-feira (12). De acordo com a apuaração da PF, deu-se o seguinte:

1. Bolão ficara incubido de passar o chapéu junto a empresas de ônibus que operam em Juiz de Fora. Recolheria propina a ser entregue ao prefeito;

2. Em troca, o alcaide Bejane reajustaria o preço das passagens que doem no bolso dos usuários;

3. As filmagens, segundo a PF foram feitas pelo coletor Bolão. Há um lote de oito DVDs, gravados à revelia do prefeito, com câmera escondida;

4. O lote de DVDs expõe todo o ciclo do malfeito –da negociação ao pagamento da propina. A passagem de ônibus foi efetivametne reajustada em Juiz de Fora;

5. O prefeito Bejane não é cliente novo da PF. Fora detido, em abril passado, numa operação batizada de Pasargada. Em sua casa, a polícia recolhera R$ 1 milhão;

6. Solto graças a um habeas corpus expedido pelo Tribunal de Justiça mineiro, Bejane saiu-se com uma versão que, descobriria a PF, não passava de lorota;

7. O encrencado dissera que o dinheiro que escondia em casa viera da venda de uma fazenda. Investigada daqui, interroga dali a PF chegou às provas contidas nos DVDs;

8. Ao descobrir que o comparsa Bolão o filmara à sua revelia, Bejane obteve, não se sabe como, o resultado da filmagem. Guardou os DVDs num cofre da prefeitura. Não imaginava que o ambiente seria varejado pela PF;

9. No vídeo da propina, o protagonista Bejani comenta com o coadjuvante Bolão detalhes de um outro negócio que estava na bica de fechar;

10. Súbito, pinga dos lábios de Bejane um nome conhecido nacionalmente: José Dirceu (PT-SP). A fita é de 10 de maio de 2006;

11. Enquanto confere a grana recebida de Bolão, Bejane confidencia: “Eu tenho uma reunião com José Dirceu, três horas, em Belo Horizonte. Tô liberando setenta milhões”.

12. O prefeito acrescenta: "Setenta milhões! ‘Cê’ sabe quanto que dá isso? Sete milhões de comissão".

13. Naquele 10 de maio de 2006, Dirceu esteve mesmo em Belo Horizonte. Já era, então, um ex-ministro. A Câmara passara seu mandato de deputado na lâmina havia seis meses;

14. No texto que enviou à Justiça, a PF anota que a captação dos R$ 70 milhões mencionados pelo prefeito “teria sido intermediada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu”;

15. Sobre os R$ 7 milhões, a PF escreveu que teria entrado no negócio, “provavelmente a título de propina;

16. Eis o que disse Dirceu, por meio do advogado José Luiz Oliveira Lima: “Jamais prestei consultoria, fiz intermediações ou tive qualquer negócio com o prefeito [...]. Recebi ligações telefônicas do prefeito Bejani como recebo de outros prefeitos e parlamentares. Não me recordo de ter encontrado com ele no dia 10 de maio em Belo Horizonte”,

17. A PF verificou que, 50 dias depois do suposto encontro, o ministro Márcio Fortes (Cidades) desembarcou em Juiz de Fora. Foi assinar um contrato com a prefeitura;

18. Sob o número 0161600373, trazia um valor anotado: R$ 70 milhões. Dinheiro a ser usado na despoluição de um rio –R$ 63,2 milhões da Caixa Econômica Federal, mais uma contrapartida de R$ 6,3 milhões da prefeitura;

19. A Caixa já repassou às arcas da prefeitura de Bejane R$ 1,86 milhão desse contrato.



Fonte: Blog do Josias

Lula é Dilma em 2010

Lula: Dilma é ‘o nome do PT’ para sucessão de 2010






O relógio de Lula caminha adiante do calendário. Nesta quarta-feira (11), em almoço no Alvorada, o presidente antecipou decisão que, em tese, só teria de tomar em 2010.

Disse que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) é mesmo “o nome do PT” para a sucessão presidencial.



Repartiam a mesa com o presidente o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o ministro Orlando Silva (Esportes) e o presidente do Comitê Olímpico Arthur Nuzzmann.



Discutia-se no repasto a candidatura do Rio como sede olímpica. Garfada vai, dentada bem Lula adicionou tempero político à conversa.



Desqualificou as acusações de Denise Abreu, a ex-diretora da Anac que depunha, naquele momento, na comissão de Infra-Estrutura do Senado.



“Ela era uma pessoa muito criticada num momento difícil e agora tentam mostrá-la como heroína”, disse o presidente.



Para Lula, Dilma converteu-se em alvo justamente por ser o poste mais eletrificado do PT.

Ao confiormar a condição de presidenciável da auxiliar, o presidente como que açula os ânimos dos praticantes de tiro ao alvo. Ou tiro à Dilma.



Terão longos dois anos e meio para aperfeiçoar a mira.


Fonte: Blog do Josias de Souza

A crise da Venda da Varig


Dilma adestra senadores para audiência sobre Varig

Dilma adestra senadores para audiência sobre Varig

Parlamentares ‘aliados’ encontraram ministra no Planalto

Receberam um ‘roteiro’ elaborado para isentar Casa Civil

Denise Abreu, ex-Anac, requisitou ‘segurança’ ao Senado

Detratora de Dilma chegou a Brasília carregada de papéis

Ela depõe, nesta 4ª, para a comissão de ‘Infra-Estrutura’





A convite do ministro José Múcio, coordenador político de Lula, um grupo de senadores foi ao Planalto nesta terça-feira (10). Grupo seleto. A nata do governismo.


Ao chegar, os senadores deram de cara com a toda-poderosa ministra-chefe da Casa Civil. Dilma Rousseff instruiu-os sobre como deveriam defender Dilma Rousseff.


Noves fora o falatório da ministra, os senadores receberam um “roteiro”. Traz detalhes do processo que resultou na venda da Varig. Tem sete páginas, obtidas pelo blog.

O documento de Dilma foi concebido como peça de defesa. Mas contém informações que podem fornir o paiol da oposição.


Por exemplo: quem lê o “roteiro” de Dilma, escrito na forma de tópicos, verifica que a venda da Varig foi autorizada no intervalo relâmpafo de quato dias.


A descrição da ministra começa em 19 de junho de 2006. Dia em que, segundo o texto, o juiz que conduzia o processo de falência da Varig comunicou-se com a Anac.


O magistrado Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, informou à agência reguladora da aviação civil que a Varig iria à breca dali a quatro dias, em 23 de junho.


O TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), que adquirira a empresa havia 11 dias, não tinha caixa para prover os recursos necessários ao funcionamento da companhia.


“A Anac comunica ao governo e é organizado um plano de contingência”, diz o texto de Dilma. “Cria-se uma sala de gestão da crise no Ministério da Defesa.”


Reunida em 23 de junho, data que o juiz Ayub previra como fatal para a falência da Varig, a diretoria da Anac aprovou a transferência da Cia. aérea para o grupo Volo.


O Volo era representado por três cidadãos brasileiros –à frente Marco Antônio Audi— e pelo fundo norte-americano Matlin Patterson, gerido pelo chinês Lap Chan.


Segundo a ex-diretora da Anac Denise Abreu, Dilma a teria pressionado para abrir mão de exigências que comprometiam o fechamento do negócio.


De viva voz, a ministra assegurou aos senadores que jamais tratou do assunto em conversa direta com Denise Abreu.


Por escrito, o roteiro entregue por Dilma aos senadores exclui completamente a Casa Civil da jogada.


Tudo teria se processado numa triangulação cujos vértices foram: o juiz Ayub; a pasta da Defesa, gerida à época por Waldir Pires; e a Anac.


Pela lei, empresas aéreas devem ter 80% de suas ações controladas por brasileiros. Denise Abreu insinua que o grupo do patrício Marco Audi não tinha bala para tanto.


Os brasileiros seriam laranjas do fundo do Matlin Patterson, dos EUA. Exigiu a exibição do Imposto de Renda dos brasileiros. E Dilma teria pedido que esquecesse o assunto.


Lorota, informa o roteiro da ministra. A Volo alegara que a entrega do IR feria o sigilo fiscal. E a procuradoria-geral da Anac, em parecer de 23 de junho de 2006, dera razão à empresa.


Ainda de acordo com o texto de Dilma, os comproadores da Varig entregaram documentos, aceitos pela Anac, demonstrando que os brasileiros controlavam 80% da sociedade.


Mais: entregaram à Anac, documento assinado assegurando o seguinte: “Não existem contratos privados [de gaveta] que modifiquem essa situação.”


A situação atual contrasta com o quadro esboçado no texto da ministra. O fundo norte-americano Matlin Patterson detém o controle absoluto da Varig.


Depois das denúncias de Denise Abreu, a Anac expediu ordem para que o chinês Lap Chan, gestor do fundo, providencie, em 30 dias, a reformulação da composição acionária.


A determinação foi reforçada, nesta terça, pelo ministro Nelson Jobim (Defesa).


Além de se auto-excluir da transação, Dilma esquivou-se de mencionar em seu texto o advogado Roberto Teixeira –compadre de Lula, amigo de três deécada do presidente.


Segundo Denise Abreu, a banca advocatícia de Teixeira atuou no caso como facilitador da compra da Varig. Disse ter sido pressionada por uma filha do advogado.


A foto estampada lá no alto, veiculada na última edição da revista Veja, mostra que, de fato, Teixeira tinha livre acesso à maçaneta do gabinete de Lula.


Captada depois da efetivação da venda da Varig, a foto estampa, da esqueda para a direita, os seguintes personagens:


Larissa, filha de Roberto Teixeira; Cristiano Martins, genro de Teixeira; o chinês Lap Chan, do fundo Matlin Patterson...


...Valeska, filha de Teixeira que esteve com Denise Abreu; Marco Audi, da VarigLog; Lula;


Guilherme Laager, então presidente da Varig; Eduardo Gallo, da VarigLog...


...Santiago Born, do Matlin Patterson; e o primeiro-amigo Roberto Teixeira. No rodapé, escrita a mão, uma dedicatória: "Para o amigo Marco Audi, um abraço do Lula."


A última das sete páginas que compõem o roteiro de Dilma tem o seguinte título: “A venda da Varig – Reunião da Anac”.


O texto anota que, em ata datada de 23 de junho de 2006, a Anac “aprova o pedido de autorização prévia pra a transferência das ações da empresa Varig [...]” para a Volo, que tinha como sócios os três brasileiros e o fundo norte-americano.


Antes, na página de número quatro, Dilma informara que a reunião da Anac ocorrera no Ministério da Defesa, não na Casa Civil. E a compra da Varig fora aprovada por “quatro a zero”.


Decisão unânime, portanto. Supostamente com o voto favorável da agora denunciante Denise Abreu. A ex-diretora da agência desembarcou em Brasília nesta terça (10).


Denise Abreu chegou à Capital com caixas apinhadas de documentos. Requesitara “segurança” à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Fora atendida.


Dirigiu-se do aeroporto de Brasília para um hotel escoltada por três agentes da Polícia do Senado.


Na audiência marcada para as 10h desta quarta-feira, vai-se descobrir se a ex-diretora da Anac dispõe, de fato, de documentos capazes de fazer ruir a versão de Dilma.


Escrito por Josias de Souza/blog

Lula e o segredo de uma celebridade


Lula e o segredo de uma celebridade



O Brasil acaba de ganhar uma nova celebridade artística internacional --Sandra Corveloni ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes, o que só está abaixo do Oscar. Chamou-me a atenção o seu passado: migrante, de família pobre, moradora da periferia, com pouca escolaridade, estudante de escola pública. Como conseguiu ir tão longe? Tirando a área dos esportes, raros brasileiros conseguiram vir de tão baixo e subir tão alto --um deles é Lula.


Fui entrevistar Sandra apenas para confirmar minhas suspeitas sobre o segredo de seu sucesso --e confirmei. O talento não seria descoberto e lapidado se não houvesse outros estímulos, a começar da família, para superar tantos obstáculos. É o que ocorreu com Lula, que repete sempre como a mãe, analfabeta, era um estímulo permanente ao aprendizado.


O que tenho visto é que esse tipo de gente sempre tem um exemplo bem próximo, muito próximo, de um adulto com apego notável à importância do conhecimento. Durante a conversa, ela me falou de seu avô, um agricultor sem escolaridade que se tornou um veterinário autodidata --um livro velho de veterinária era sua bíblia. Também falou da inventividade de sua mãe, Clarice, que, apesar do pouco estudo, tinha uma eterna curiosidade e um rigor diante das obrigações escolares da filha.


Por fim, Sandra me contou de uma de suas primeiras professoras (Dona Gema), em escola pública, que fazia das aulas uma festa, sempre trazendo coisas novas.


Um dos segredos do sucesso de Sandra é um dos segredos do sucesso de uma nação --quanto maior for o envolvimento dos pais com a educação, estimulando e cobrando o aprendizado, envolvendo-se com escola, maior a chance de que seus filhos tenham mais disposição de encontrar seu talento e fazer disso uma riqueza coletiva.


Se todos os pais fossem mais exigentes, a escola pública não seria como é, porque os eleitores cobrariam mais dos governantes e usariam o voto para puni-los. É por isso que deixamos de produzir tantas Sandras.



Autor: Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz.
E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

Nem toda crise é só crise

Nem toda crise é só crise


Tenho conversado e lido muito nas últimas semanas sobre alguns temas mundiais que refletirão no Brasil e, especialmente, aqui em Mato Grosso. Vou relatá-los rapidamente antes de concluir sobre o que nos diz respeito. A crise imobiliária nos Estados Unidos provocou de imediato uma considerável recessão na maior economia do mundo. Coincidiu com o aumento nos preços do petróleo que em junho de 2007 era de 65 dólares e hoje está quase em 140. Estima-se que chegue a U$ 200 em dezembro. Com isso, os Estados Unidos aceleraram a produção de etanol de milho, queimando 25% da sua produção, sem contar o avanço sobre áreas tradicionais de soja e de trigo. E a tendência não é boa porque os subsídios à agricultura deverão cair por conta da crise financeira no país. Tem-se aí uma crise alimentar que se soma à mundial provocada pelo aumento de consumo da China, da Índia e dos países orientais.


Na prática, o mundo experimenta uma inesperada crise de falta de comida e de energia alternativa, no caso o etanol e os biocombustíveis. Com o aumento de 20% no consumo mundial nos últimos quatro anos, não houve tempo de se equilibrar a oferta com a demanda. No Encontro dos Negócios da Pecuária, em Cuiabá, há duas semanas, foi dito por palestrantes ilustres que o consumo de carne, de grãos e de energia será crescente pelos próximos 10 anos. Basta lembrar que no ano passado a arroba de boi estava na faixa de R$ 42,00, e hoje alcança R$ 85,00, com estimativa de fechar o ano a R$ 100,00. Um bezerro de 12 meses que valia R$ 220,00 está a R$ 700,00, e quase não há animais disponíveis para reposição.



Tudo isto traduzido significa que a possibilidade de produção e de produtividade do Brasil, em especial o Centro-Oeste e, nele, Mato Grosso, é muito grande. A crise do comércio alimentar e de energia na União Européia, nos Estados e na Ásia, obrigará como, aliás, já está obrigando à migração do capital produtivo de lá para investir por aqui. Europeus já estão comprando áreas em Mato Grosso, pagando à vista em euros, através de empresas argentinas para produzir aqui. Já são adiantadas as prospecções de empresários norte-americanos, chineses, japoneses, indianos e árabes. Junto com o capital virão tecnologias mais sofisticadas que custam muito dinheiro, mas são capazes de multiplicar a produção de proteínas vegetais e animais, e de energia.



Por outro lado, a expectativa é de que toda essa produção se verticalize aqui no estado para poder agregar valor, gerar mais impostos, mais empregos e renda para os produtores. São cenários absolutamente possíveis, com perspectiva de se consolidarem num período de tempo não superior a três anos. Isso significará uma revolução em termos de produção, de produtividade, de gestão, de novos investimentos, de tecnologias, de diversificação produtiva e de verticalização ampla do setor produtivo mato-grossense.



Por fim, fico imaginando o que tudo isso vai influenciar e modificar o sistema político de Mato Grosso. Serão novos interlocutores, novos interesses, exigência formidável por resultados rápidos e eficientes na gestão administrativa e política. Ouso até dizer que as eleições de 2010 neste estado já serão influenciadas por esse clima novo e inesperado.




Autor: ONOFRE RIBEIRO
onofreribeiro@terra.com.br

Bate papo com Marta Suplicy

Marta: ‘Eu me arrependo de algo que fiz, as taxas’

  • Qual é o principal problema de São Paulo? ‘O trânsito’
  • Aumentará a carga tributária? ‘Vou diminuir as taxas’
  • Deixará a prefeitura em 2010? ‘Quero ficar oito anos’
  • Por que se acha melhor que adversários: ‘Pelo perfil’
  • Tem imagem arrogante? ‘Às vezes desconfio que sim’
  • Como lidará com o ‘relaxa e goza’? ‘É página virada’



Antônio Cruz/ABr


Prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004, a petista Marta Sulicy foi ao bolso do contribuinte. Criou taxas para o lixo e para a iluminação pública. Aumentou o IPTU.



Ao tentar se reeleger, foi batida pelo tucano José Serra, que se tornaria governador dois anos mais tarde. Por que perdeu?



“Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação”, diz Marta no instante em que se apresenta ao eleitor paulistano, de novo, como candidata.

Ela falou aos repórteres Alessandro Duarte e Alvaro Leme. Na entrevista, promete: “Vou diminuir as taxas [...]. A cidade vive outro momento, gente!”



Do alto de seus 63 anos, Marta apresenta-se como candidata capaz de prover a “nova atitude” que, segundo ela, São Paulo precisa. Vai abaixo um extrato das declarações:



– Por que quer voltar a ser prefeita? São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.



Qual é o principal problema da cidade? Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô [...].



- Como ex-prefeita, não se julg co-responsável pelo caos no trânsito? Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7 [...].



- Cogita instituir o pedágio urbano e ampliar o rodízio? Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade [...]. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo [...]. Se tivéssemos hoje R$ 10 bilhões para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento.



– Compromete-se a não aumentar o IPTU e a não criar outras taxas? Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.



- Vai cumprir o mandato até o final? Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos [...]. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.



- Então, não vai disputar o governo ou o Planalto em 2010? Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.



– Por que se acha melhor do que Alckmin e Kassab? Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado [...].



– Do que se arrepende de não ter feito na primeira gestão? Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas [...]. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada.



- Por que não foi reeleita em 2004? É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.



- Como contornar na campanha a rejeição à sua imagem? Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.



- Acha que a separação de Eduardo Suplicy e o casamento com Luis Favre pesou na rejeição? Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor [...]



– Como vai lidar com a exploração do ‘relaxa e goza’? Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz [...]. Quem é que nunca disse uma frase infeliz?



– Acha que tem uma imagem arrogante? Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar [...].



Fonte: Blog do Josias


Mato Grosso e Carlos Minc


Coisas estranhas


Carlos Minc, ao apresentar os números do desmatamento na Amazônia, deu ênfase que Mato Grosso foi quem mais desmatou. Talvez como "vingança" por um fato que ocorreu dias antes no encontro dos governadores em Belém.


O fato é tão estranho que o conto desconfiado de que não tenha ocorrido. Mas saiu na imprensa. Será que Blairo Maggi pediu mesmo naquele encontro que os governadores assinassem uma moção de desagravo a ele pelas palavras ditas pelo Minc em Paris de que plantaria soja até nos Andes?


Se verdade, foi um ato provocativo ao novo ministro. Se os governadores assinam, ele já entrava desmoralizado em sua nova função. Depois do tiroteio inicial entre ambos, o Minc estendeu a mão para um entendimento. O Blairo topou. Mas, se pediu a moção, a mão estendida ficou no ar. Se o fato ocorreu, o Minc vai pôr o Blairo na alça de mira. Não é bom para Mato Grosso.


A confusa situação na área de meio ambiente está criando estranhas decisões. Veja a do Conselho Monetário Nacional que proibia o financiamento de agricultores de 86 municípios do estado que não obedecessem a uma série de requisitos. Dizia-se que seriam atingido cerca de 50% dos municípios produtores do estado. Parecia que o mundo ia acabar.


Daqui a pouco o superintendente do Banco do Brasil em MT disse que haviam encontrado uma brecha na decisão do CMN para não prejudicar o crédito ao agricultor faltoso. Se o produtor rural levasse ao banco somente o número do protocolo de que entrou na Sema com um pedido de revisão de seus erros ambientais já valeria para tomar o empréstimo. Boa, não?


Outra? A decisão do CMN não vale para as trades (Bumge, ADM, Amaggi, Cargil e Dreyfus), aquelas companhias que financiam a maior parte dos gastos dos produtores. Elas recebem em produto. Para os produtores é até melhor do que o Banco do Brasil.


Mais: o governo federal retirou da lista alguns municípios que não deviam estar nela. Quem elaborou a tal lista incluiu município que não pertencia ao bioma amazônico. Resultado final? Tudo igual como antes.


Voltando aos números apresentado pelo Minc. Será que a Sema vai outra vez a campo para contestá-los? Será que esse é o caminho da discussão? Como é que vamos convencer o outro Brasil de que a coisa não é tão feia assim? Como explicar àqueles brasileiros que em plena operação Arco de Fogo, com dezenas de policias federais no campo, o desmate continua? Acreditarão que a coisa ficará pior se a força de segurança for embora.


Como é que o país que tem a selva amazônica não é o protagonista nessa discussão mundial? É puxado para o debate, atua na defensiva, se defende de acusações sobre atos na selva. Hoje há meios de impedir mais desmates? E aí, qual a solução?

Talvez haja somente uma maneira para tentar minorar a situação: pressão econômica dos compradores de produtos do estado.


Um exemplo: o governo de São Paulo assinou medida legal de que o estado só comprará, a partir de junho de 2009, madeira certificada. Hoje compra a madeira legal e a ilegal. Assim era impossível controlar o desmate. A Europa começa a fazer a mesma coisa. Essa pressão talvez faça o madeireiro obedecer as regras ambientais.


Parece que o McDonalds na Europa já não compra carne de gado alimentado com soja da Amazônia. Isso deve se estender também para o comprador comum. Preocupadas com isso, as grandes trades não financiam ou compram a produção de soja plantada na região amazônica. Uma ressalva: elas continuaram a financiar até onde se plantava antes da moratória, derrubadas novas não. Outra saída a la Brasil.


Enfim, somente pelo viés econômico pode haver, aos poucos, modificação na maneira de atuar dos produtores rurais.


Autor: Alfredo da Mota Menezes
E-mail: pox@terra.com.br; site: www.alfredomenezes.com


Governo livrou o comprador da Varig das dívidas


Fazenda isentou novo proprietário de débito bilionário

Decisão foi tomada à revelia de 3 pareceres contrários


Em 7 de junho de 2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu um parecer que acomodou nas nuvens o chines Lap Chan, representante do fundo norte-americano de investimento Matlin Patterson.


Associado a três empresários brasileiros, o fundo de Chan interessara-se pela compra da Varig. Havia, porém, um problema.


A companhia aérea devia à época cerca de R$ 7,9 bilhões ao governo e a empresas estatais e privadas.


Só os débitos com a Receita e com o INSS já inscritos no cadastro da Dívida Ativa da União alçavam à casa de R$ 2 bilhões. Encontravam-se em fase de cobrança judicial.


Envenenada pelas dívidas, a Varig não valia um tostão furado. Sem elas, era um negócio da China.


Pois bem. O parecer da Fazenda Nacional simplesmente isentou a Varig de seu passivo com o Estado. Dezessete dias depois, a companhia foi vendida.


Curiosamente, o documento da Fazenda Nacional, que azeitou o negócio, foi produzido à revelia de outros três pareceres da mesma Fazenda Nacional.


A trinca de textos ignorados fora produzida justamente para subsidiar o governo na decisão a ser tomada em relação à dívida da Varig.


Sustentavam a tese segunda a qual quem arrematasse a Varig levaria junto o passivo tributário. Entendimento diametralmente oposto ao que acabou prevalecendo.


Os textos que azedavam a venda da Varig haviam sido produzidos pela equipe de Manoel Felipe Brandão. Ele ocupava o posto de procurador-geral da Fazenda Nacional. Fora nomeado pelo ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda).


Súbito, no final de maio de 2006, Manoel Felipe foi substituído, já na gestão do ministro Guido Mantega, o sucessor de Palocci, por Luis Inácio Lucena Adams.

O texto final do governo sobre a Varig, aquele que livra os compradores do passivo tributário, traz a assinatura de Luís Inácio Lucena Adams, o novo procurador-geral da Fazenda Nacional.


O documento redentor foi enviado em 15 de junho de 2006 ao juiz Luiz Roberto Ayoub, o magistrado que conduziu o processo de falência da Varig.


Ayoub repassou o texto aos candidatos à compra da companhia aérea. Era a garantia de que não herdariam o passivo tributário.

O texto anotava que a divisão da Varig em duas companhias –uma antiga, que manteria a dívida, e outra nova, a ser leiloada—não caracterizava uma “cisão” empresarial, “(...) não havendo que se falar (...) em sucessão tributária.”


O procurador-geral Luís Inácio Lucena Adanms simplesmente ignorou os três textos produzidos sob o antecessor Manoel Felipe Brandão. São datados de 2005. Dias 10 de outubro, 17 de outubro e 15 de setembro.

O texto de 10 de outubro de 2005 dizia o seguinte: “Em que pese não estar consignado no referido plano [de venda da Varig] o termo ‘cisão’, a operação a que se reporta a ‘Velha’ Varig está (...) caracterizada como tal.”


O documento acrescentava: A “cisão resultará na responsabilidade solidária da Nova Varig pelos débitos tributários da sucedida (‘Velha’ Varig), por força da determinação legal (...).”


No texto assinado pelo procurador-geral Luis Inácio, anotou-se que, qualquer que fosse o resultado da recuperação da Varig, seriam “obrigatoriamente mantidos” na companhia “ativos e meios operacionais suficientes para, em conjunto com o valor mínimo em moeda corrente nacional estipulado para a alienação judicial, proporcionar meios para o integral pagamento dos credores (...).”


Um dos pareceres desconsiderados pelo novo procurador-geral dizia coisa distinta. Informava que o patrimônio da Varig, avaliado à época em R$ 257,7 milhões, era “manifestamente insuficiente” para quitar a dívida da empresa inscrita em dívida ativa [R$ 2 bilhões]”.


“Sem considerar aqueles débitos sob administração da Receita Federal e do INSS”, acrescentava o texto que o governo preferiu mandar ao lixo.


No período que antecedeu a saída de Manoel Felipe Brandão da Procuradoria da Fazenda Nacional e na fase que se seguiu à entrada na repartição de Luís Inácio Lucena Adams, deu-se em Brasília um fato digno de nota.


Realizaram-se na Casa Civil do Palácio do Planalto uma série de reuniões. Foram comandadas pela secretária Executiva Erenice Guerra, a segunda da ministra Dilma Rousseff.


Nesses encontros, a preposta de Dilma advogava a tese de que os passivos tributários da Varig eram irrecuperáveis.¨Por conseguinte, era preciso encontrar uma solução que viabilizasse a venda da empresa. E a "solução" foi encontrada.


Autor: Josias de Souza - Folha Online


Deputado Paulinho diz que não pode falar


Paulinho: ‘Se eu falar cai a República de São Paulo’

Deputado acusa Serra e Kassab de tramarem contra ele


Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, encontra-se sitiado pela suspeição.

Foi investigado pela Polícia Federal. O Ministério Público acionou-o no STF.

Responde também a processo na Câmara por quebra do decoro parlamentar.



A despeito dos indícios que saltam dos grampos telefônicos e dos documentos colecionados ao longo da investigação, Paulinho se diz vítima de “perseguição.”

O presidente da Força Sindical vinha se esquivando, porém, de dar nome aos bois que supostamente o perseguem.



Nesta quinta-feira (5), em entrevista ao repórter Leandro Colon (só para assinantes do Correio Braziliense), Paulinho pôs na roda dois nomes.

Nomes de peso: José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), respectivamente governo do Estado e prefeito da cidade de São Paulo.



Paulinho afirma que sofreu uma investigação clandestina da Polícia Civil paulista em 2007, logo depois de receber em casa o prefeito Kassab para tratar de aliança política.

O deputado insinua que tem munição contra a dupla. Mas esquiva-se de levar todas as cartas ao pano verde.



“Não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a República de São Paulo”, limita-se a declarar.

De resto, diz ter sido vítima de uma investigação clandestina da Polícia Civil paulista, submetida ao governador.



E diz ter recebido visitas do prefeito Kassab. “Esteve na minha casa duas vezes [...]. Eu disse que nossa tendência era ter candidato. Depois disso, teve a perseguição.”

Vão abaixo os principais trechos das declarações de Paulinho:



- Envolvimento nos desvios do BNDES: O que tem nisso tudo? Uma ligação de uma pessoa, João Pedro [ex-assessor do deputado], para o Marcos Mantovani [dono da Progus, empresa ligada ao esquema]. Essa é a única verdade na história. Ele fala com outra pessoa e cita meu nome. O próprio João Pedro e o Mantovani disseram que usaram meu nome indevidamente.



- Sabia que João Pedro usava cartão de visitas de seu gabinete? Claro que não. Ele inventou o cartão. Falsificou um cartão meu para se apresentar como um assessor.



- Quem o estaria perseguindo? Passei a ser o deputado que articula as centrais sindicais. Isso incomoda empresários e políticos.



- Os políticos são do governo ou da oposição? Tem alguns da base, mas é a oposição. Eles me consideram um traidor.



- Era ligado ao PSDB de São Paulo. Quem o persegue é o tucanato paulista? Acho que sim. Mas vou dizer mais. Eu cometi uma falha [de não ter denunciado antes à imprensa] nesse processo todo. Começou com uma investigação sobre mim em São Paulo, em setembro no ano passado. Achei que era uma tentativa de seqüestro da minha filha. Ela me ligou e disse ‘pai, estou sendo seguida’. E eu falei para ela ir a uma delegacia [...]. Pensei que fosse seqüestro. Eu pedi para o coronel da Polícia Militar Wilson Consani Júnior verificar. Passaram uns dias, e ele me procurou. Disse: ‘Nós constatamos que é a Polícia Civil’. A polícia tinha uma casa alugada ali perto da sede do PDT, na Vila Mariana. Os caras se identificaram e disseram que quem os mandou foi o alto comando da Polícia Civil. Para me prevenir, fui ao Ministério Público e dei um depoimento no dia 18 de outubro. E procurei o Lupi [ministro do Trabalho, Carlos Lupi, então presidente do PDT]. Ele pediu para eu não denunciar. Não tinha como não falar que era o Serra, a Polícia Civil.



- Por que o PSDB teria feito isso? Nos mantivemos uma independência do PDT em São Paulo. Não compusemos com o Serra para governador, fui candidato a prefeito. Agora eles faziam questão de contar com nosso partido.



- Acusa o governo estadual? Alguém do governo está nisso. Tentaram o tempo todo controlar o nosso partido. Por isso, enfrentei para retirá-lo da base do Kassab. O Kassab esteve na minha casa duas vezes para dizer que não era candidato, mas queria manter uma boa relação conosco. Eu disse que nossa tendência era ter candidato. Depois disso, teve a perseguição em São Paulo.



Qual a relação disso tudo com as denúncias do caso BNDES? Se eu tivesse denunciado [a suposta perseguição de Kassab e Serra], eu falaria tudo o que aconteceu. E não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a República de São Paulo. Mas, se eu tivesse denunciado, tinha me prevenido dos supostos envolvimentos nessas coisas.

As acusações de Paulinho contra Serra e Kassab padecem, por ora, de um vício de origem: têm a vagueza própria das cortinas de fumaça.



Para ser levado a sério, o deputado teria de dizer algo mais. De resto, teria de demonstrar que o governador Serra e o prefeito tucano têm, juntos, um poder insuspeitado.

A dar-se crédito a Paulinho, a dupla controlaria a PF de Lula. Teria força também para se sobrepor à independência do Ministério Público.



De resto, Serra e Kassab alugariam a consciência do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que remeteu ao STF o pedido de abertura de inquérito contra o deputado.

Serra reagiu assim: "Acho que o Paulinho deveria enfrentar os problemas dele de verdade. Porque ele está bastante ameaçado de cassação. Então faz isso para distrair a atenção."

Para Kassab, a acusação de Paulinho é "totalmente fantasiosa."

Fonte: Blog do Josias de Souza

Guerra é Guerra


Lula vê ‘fogo amigo’ em nova denúncia contra Dilma

  • Oposição planeja usar caso Varig para mirar no presidente



Vai começar tudo de novo. Sai a denúncia do dossiê anti-FHC. Entra o caso da venda da Varig.

As cúpulas do PSDB e do DEM enxergaram na acusação pólvora suficiente para disparar contra o próprio Lula.



Farejando a movimentação inimiga, o presidente deu de ombros: “Vão quebrar a cara de novo”, disse a um auxiliar, na tarde desta quinta-feira (5).



Na mesma conversa, Lula declarou-se “intrigado” com a origem dos ataques à ministra Dilma Rousseff. Acha “curioso” que partam, invariavelmente, de pessoas ligadas ao PT.



No caso do dossiê, descobriu-se que o “espião com crachá” era o petista José Aparecido, levado à Casa Civil pelo ex-ministro José Dirceu.



Na encrenca da Varig, quem fornece munição ao inimigo é Denise Abreu, personagem que também fizera escala na Casa Civil antes de chegar à Anac. De novo, sob Dirceu.



Lula enxerga na sucessão de problemas indícios de fogo amigo. Associa a sucessão de más notícias à contrariedade de setores do PT com a superexposição obtida pela ministra-presidenciável.



Em diálogos privados, lideranças tucanas e ‘demos’ decidiram adotar uma estratégia apelidada por um deles de “escada”.



Pretende-se subir um degrau por vez. Vê-se como primeiro estágio a inquirição, na comissão de Infra-Estrutura do Senado, de 11 personagens ligados ao caso Varig.



Confirmando-se as denúncias feitas por Denise Abreu, a ex-diretora da Anac, o “degrau” seguinte será o advogado Roberto Teixeira.



Compadre de Lula, Teixeira foi definido como um “abridor de portas” por um dos sócios brasileiros do fundo norte-americano Matlin Patterson, que abiscoitou a Varig, supostamente beneficiado pela interferência da Casa Civil.



Padrinho de um dos filhos do presidente, o advogado Teixeira integra o rol de “convidados” a dar explicações à comissão do Senado.



Se a versão do tráfico de influência sobreviver às oitivas, a oposição vai ao “degrau” seguinte: Dilma Rousseff.



A idéia é arrastar a ministra novamente para a comissão de Infra-Estrutura. O mesmo foro em que foi questionada por mais de oito horas sobre o episódio do dossiê.



Em maioria na comissão, o bloco parlamentar de Lula prepara-se para resistir. No caso do dossiê, a convocação da ministra foi obtida graças a um cochilo dos governistas.

Agora, como diria Stanley Kubrick, o líder de Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), está "de olhos bem abertos".



A oposição já ensaia o discurso: a eventual recusa a um novo comparecimento de Dilma no




Senado será explorada como tentativa do governo de acobertar malfeitos.



Vai-se, então, ao último ao topo da “escada”: Lula. Um “degrau” que vem se mostrando impermeável a ataques.



O que há, por ora, são acusações que chegam desacompanhadas de documentos. Vocalizadas por Denise Abreu, foram, porém, corroboradas por outros personagens.



Há, de resto, uma evidência incômoda: embora a lei limite em 20% a participação de estrangeiros em companhias aéreas brasileiras, o fundo Matlin Patterson, dos EUA, exerce controle absoluto sobre a Varig.



Tanto assim que a Anac, agora sob nova direção, fixou, nesta quinta-feira (5) um prazo de 30 dias para que lhe seja apresentada uma nova composição societária da companhia.


Fonte: Blog do Josias de Souza

Dilma volta a ser acusada


Dilma é acusada de favorecer compradores da Varig


Existem vários tipos decoragem. Quase todas admiráveis. Há, porém, um tipo de ato heróico mais próximo da patologia do que da bravura: a coragem retardatária.


Ex-diretora da Anac, Denise Abreu acaba de converter-se em heroína tardia. Veio à boca do palco para "denunciar" a cúpula da Casa Civil.

Afirma que a ministra Dilma Rousseff e sua lugar-tenente Erenice Guerra agiram para beneficiar os compradores da Varig.


A dupla, segundo Denise, pressionou a Anac para aliviar exigências legais impostas aos adquirentes da Varig: o fundo Matlin Patterson, dos EUA, e três sócios brasileiros.

Pela lei, pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras não podem controlar mais do que 20% do capital de companhias aéreas no Brasil.


Por isso, a Anac exigira que os sócios brasileiros do fundo norte-americano comprovassem ter capacidade financeira para bancar 80% da compra da Varig.

Foi então, diz agora a ex-diretora da Anac, que a Casa Civil interveio. "A ministra [Dilma] não queria que eu exigisse os documentos”, acusa Denise.

Em entrevista ao Estadão, ela detalhou os argumentos que diz ter ouvido da ministra-chefe da Casa Civil:


“Dizia que era da alçada do Banco Central e da Receita e falou que era muito difícil fazer qualquer tipo de análise tentando estudar o Imposto de Renda porque era muito comum as pessoas sonegarem no Brasil."

Denise Abreu diz mais: os compradores da Varig serviram-se da assessoria de um escritório de advocacia gerido pela filha e pelo genro de Roberto Teixeira.

Quem é Roberto Teixeira? Trata-se de um velho compadre de Lula. É padrinho de um dos filhos do presidente.

Nos tempos de vacas magras, Teixeira cedera à família Silva, gratuitamente, uma casa de sua propriedade.


Pois bem. Denise Abreu diz que a banca de advogados dos familiares do compadre do presidente usou o peso de sua influência para pressioná-la.

Ouvida, Dilma diz que é mentira. "As acusações feitas pela doutora Denise Abreu são falsas." A ex-diretora da Anac, porém, reafirma tudo em nova entrevista (ouça).

No Senado, a oposição ensaia a abertura de uma nova frente de investigação contra o governo. Já se fala até em cpi. Mais uma.


Denise Abreu foi apeada da diretoria da Anac nas pegadas do caos aéreo, em agosto de 2007. A Varig fora vencida antes disso.

Curiosamente, a ex-diretora abre o baú de traficâncias da agência depois de ter cultivado, por um ano, obsequioso silêncio.


A demora desmoraliza o ato heróico. Denise Abreu traz o fígado na ponta da língua. Dá o troco a um governo que julga tê-la jogado aos leões.


A apuração da encrenca é imperiosa. A bravura retroativa confere a Denise Abreu a cara de investigada, não de denunciante.

Ela precisa responder, por exemplo, por que aceitou pressões externas no instante em que ocupava a cadeira de diretora de uma agência que se pretende independente.

Escrito por Josias de Souza


Eleições 2008 em São Paulo

Grupo de Serra reúne assinaturas para deter Alckmin

Nos subterrâneos, PSDB vive sua mais grave crise em SP


O PSDB de São Paulo marcou para 22 de junho sua convenção. Informou-se que o encontro cumpriria a formalidade de homologar a candidatura de Geraldo Alckmin.


Não é bem assim. Sem alarde, o grupo do governador José Serra recolhe assinaturas para levar à convenção tucana um projeto alternativo à candidatura municipal própria.


Trama-se aprovar uma coligação tardia do PSDB com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Ao tucanato caberia a indicação do vice.


Há três dias, reunido com a cúpula nacional do DEM, em seu apartamento, Kassab informou que o abaixo-assinado tucano pró-coligação já reúne 570 jamegões.


A ser verdade, faltariam algo como 30 assinaturas para alcançar a maioria na convenção do PSDB, composta de 1.200 delegados. Um desastre para Alckmin.

Kassab mantém-se informado acerca da coleta de assinaturas por meio de um interlocutor bem-posto: o tucano Aloísio Nunes Ferreira.


Aloísio é secretário de Governo da gestão Serra. Mantém com o governador um relacionamento do tipo unha e cutícula.


Animado, Kassab reuniu-se com Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Na presença do dirigente ‘demo’ Jorge Bornhausen, combinaram o seguinte:

Na convenção do DEM, marcada para 14 de junho, oito dias antes da reunião do PSDB, só o nome de Kassab será ratificado. A vaga do vice ficará reservada para um tucano.

A combinação com Quércia foi necessária porque Kassab lhe havia prometido a primazia na indicação do vice, caso o plano de desbancar Alckmin fizesse água.

Sentindo o cheiro de queimado, o presidente do diretório paulistano do PSDB, José Henrique Reis Lobo, pôs-se a enviar, há dois dias, carta aos convencionais tucanos.

Aos que ainda não rubricaram a lista urdida no Palácio dos Bandeirantes, o tucano Lobo pede que se esquivem de assinar.

Aos correligionários que já apuseram seus jamegões na lista, Lobo roga para que mandem apagar os rabiscos.


Oficialmente, Serra e Aloísio Nunes negam que a articulação anti-Alckmin traga as suas digitais. Lorota, a julgar pelo que diz Kassab entre quatro paredes.

A simples existência do abaixo-assinado intoxicou de vez as relações dos grupos de Alckmin e Serra. Abriu-se no PSDB paulista crise de desdobramentos imprevisíveis.

No limite, a encrenca pode desaguar na Executiva nacional do partido. Se a lista pró-Kassab vier a prevalecer na convenção tucano do dia 22, o grupo de Alckmin vai agir.


Para assegurar a candidatura de Alckmin, cogita-se requisitar uma intervenção de Brasília no diretório de São Paulo. Algo que, por ora, o senador Sérgio Guerra prefere nem cogitar.

“A direção nacional apóia o encaminhamento que vem sendo dado pelo Lobo, nosso presidente no município de São Paulo”, diz Sérgio Guerra, dirigente máximo do PSDB.

“Nosso candidato será o Geraldo [Alckmin]. A convenção vai sacramentar o nome dele. É com essa perspectiva que estamos trabalhando”, acrescenta o presidente nacional tucano.

Integrantes do grupo de Alckmin dizem que a ala de Serra blefa ao dizer que dispõe de 570 assinaturas. As adesões à composição com Kassab não passariam de 400.

Tenha 570 ou 400 rubricas, a lista que corre os subterrâneos do PSDB expõe um flagelo cada vez mais associado ao tucanato: a divisão interna.

Escrito por Josias de Souza


PAC não anda, mas empresas investem em infra-estrutura

Recursos destinados à infra-estrutura crescem entre o setor privado e a Petrobras

De R$ 15,7 bi do orçamento previstos para o PAC em 2008, apenas 0,74% foi desembolsado nos cinco primeiros meses do ano


As obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que dependem do Orçamento federal seguem em ritmo considerado "lentamente ridículo" por empresários ligados à área de infra-estrutura.

Em contrapartida, a iniciativa privada, ao lado da estatal Petrobras e de alguns Estados, já tomou a dianteira na infra-estrutura do país.

Como reflexo disso, o ritmo da criação de empregos formais na construção civil ligada a obras de infra-estrutura superou pela primeira vez o das contratações do setor de edificações residenciais e comerciais.

Na quarta-feira, a Casa Civil apresenta novo balanço do PAC. Dados dos primeiros cinco meses do ano (até 28 de maio) do Siafi, em que consta a execução orçamentária federal, mostram que, de um orçamento de R$ 15,7 bilhões para o PAC autorizado para 2008, só 0,74% (R$ 116,7 milhões) foi desembolsado até agora.

Já os investimentos das empresas, principalmente nos setores de petróleo, siderurgia e mineração, que também têm impacto positivo para a infra-estrutura rodoviária e portuária, ganharam novo ritmo.

As obras e as contratações em oito lotes rodoviários concedidos pela União à iniciativa privada também contrastam com a execução de projetos liderados exclusivamente pelo Ministério dos Transportes.

De um orçamento aprovado de R$ 9,5 bilhões para a pasta em 2008, apenas 1,12% foi liquidado nos primeiros cinco meses do ano. Mesmo considerando valores pagos que pertenciam a orçamentos de anos anteriores (restos a pagar), o total pago é inferior a 20%.
Os dados foram levantados para a Folha pela ONG Contas Abertas. Procurados, o Ministério dos Transportes e a Casa Civil não quiseram comentar.

"Nunca na história deste país um governo esteve tão bem-intencionado, com palavras, na infra-estrutura. Mas continua extremamente defasado em relação ao que pretendia fazer", diz Luiz Fernando Santos Reis, presidente do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), com 450 filiados e que representa 60% do setor.

Do lado privado, Reis elenca uma série de investimentos em siderurgia e em mineração (ThyssenKrupp CSA, Usiminas, Açominas e Vale, entre outras), papel e celulose e da Petrobras como carros-chefes da modernização da infra-estrutura. Segundo ele, o setor privado e a Petrobras respondem hoje por mais de 60% dos investimentos na área.

"As obras federais continuam andado com muita lentidão. De concreto e quase pronto, não há nada. Está tudo ainda muito no começo", afirma Paulo Fernando Fleury, diretor do Centro de Estudos em Logística do Coppead/UFRJ.

Entre projetos em ritmo inadequado ou lento, Fleury cita as ferrovias Norte-Sul, a Transnordestina e o chamado Arco Metropolitano (espécie de Rodoanel) no Rio, além de obras para dragagem em portos.

"Já a questão do transporte aéreo aos poucos vai voltando a apresentar os mesmos problemas que desembocaram em uma grande crise", afirma.

Para Carlos Eduardo Lima Jorge, diretor-executivo da Apeop (Associação Paulista dos Empreiteiros de Obras Públicas), no entanto, é questão de tempo para que as obras públicas comecem a agregar volume na infra-estrutura.

"As obras já começam a acontecer em Estados e municípios. Em nível federal, houve atraso em licenças ambientais, na realização de projetos e na própria execução. Mas há muita coisa sendo iniciada agora."

No Estado de São Paulo, onde as 250 empresas da Apeop abocanham mais de 80% da receita com obras, a previsão para 2008 é de um crescimento no faturamento de até 7%, contra 3% em 2007.


Fonte Folha de S. Paulo
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL

 
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